História do Worship ou estilo Worship

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Neste artigo queremos trazer um pouco da história do estilo worship contemporâneo e suas influências na história. Não pretendemos responder todas as perguntas, mas estamos aos poucos juntando pedaços da história que são disponibilizados na rede para enriquecer nossos estudos.

Voltando ao passado próximo

O worship contemporâneo começa a surgir em meados nos anos 80, mas antes de falar da influência musical precisamos entender que ele faz parte de um contexto mais amplo, oriundo das transformações da igreja no inicio do século 20 e do nascimento das igrejas pentecostais, nascidas do movimento da Rua Azusa.

O movimento da Rua Azusa da primeira década (1906) abre as portas para grupos até então discriminados (negros, latinos, asiáticos, mulheres, entre outros) e traz a evidência os dons e manifestações do Espírito.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Reavivamento_da_Rua_Azusa

Ao dar espaço para estes grupos discriminados, que passam a ter voz na igreja, trazemos a influência de suas culturas, dentre elas, a cultura musical, rompendo não com o modelo bíblico de música, mas com o modelo da música clássica europeia, que tinha predominante influência sobre a música e liturgia nas igrejas tradicionais e reformadas.

As influências musicais da atualidade nascem na sua grande maioria dentro de igrejas derivadas ou influenciadas por este movimento.

Ministérios como Bethel e Hillsong em igrejas oriundas das Assembleias de Deus, Elevation das Batistas com influência carismática, temos Ron Kenoly, Fred Hammond e Kirk Franklin com influências de igrejas independentes, da black music e Spiritual (black).

Evolução discreta dos anos 10 ao 50

Dos anos 10 ao 50 provaram uma evolução discreta nos estilos musicais dentro e fora da igreja, embora muitas sementes para o futuro tivessem sido plantadas nesta época, fatores externos como a influência das guerras, tensões políticas, quebras de preconceitos e tecnológico avançavam tomando a atenção, segurando um crescente desejo pela renovação dos costumes em todas as esferas.

Nascem neste período nomes como Elvis Presley (1935), Sister Rosetta Tharpe (1915), Aretha Franklin (1942), Ron Kenoly (1944), entre outros, que se tornam grandes influências para as décadas seguintes.

O terreno é preparado para as mudanças (anos 60 e 70)

Nascem nos anos 60 movimentos dispostos a questionar toda a cultura, e de certa forma a igreja acaba tendo influência deste movimento através de jovens que começam a questionar as liturgias e restrições ao novo dentro da música.

Nesta mesma época começa a revolução tecnológica, surgindo nos anos 70 os primeiros computadores pessoais, barateamento da tecnologia, a redução progressiva do tamanho dos chips, aumento da capacidade de processamento e armazenamento.

Os anos 70 preparam o caminho para o surgimento dos instrumentos portáteis como os teclados eletrônicos e a popularização de instrumentos modernos através do sucesso de bandas ligadas aos movimentos da época.

Nascem nestas duas épocas grandes influências do worship contemporâneo como Michael W. Smith (1957), Fred Hammond (1960), Amy Lee Grant (1960), Kirk Franklin (1970), entre outros nomes.

Muitos nomes da música secular saem de dentro das igrejas, que lutou contra o que muitos chamavam de sons e instrumentos profanos. Muitas igrejas só passaram a aceitar guitarras e baterias por volta dos anos 90, o que na minha visão limitou a evolução musical dentro da igreja e permitiu que o mundo levasse para si grandes talentos, nomes que ajudaram na transformação musical que se seguiu.

Revolução musical dos anos 80´s

Os anos 80 são de fato um marco para a evolução musical, puxadas pela influência da evolução tecnológica, que trouxe para a música novos elementos, instrumentos e sons, marcando o crescimento exponencial de novos estilos. Acrescente a isso um mercado cada vez mais globalizado, permitindo que mais pessoas tivessem acesso as novidades da música.

Observamos que neste período as mudanças ocorriam simultaneamente dentro e fora da igreja, confundindo os crentes mais radicais, que acreditavam que a música europeia com influência da música clássica erudita era a música santa ou não profana.

Se observarmos com atenção, grandes nomes da música vieram de dentro da igreja ou foram influenciados por nomes da igreja. Ouso dizer, exagerando obviamente, que tínhamos uma espécie de guerra fria musical, com os dois lados inovando a cada dia e tornando difícil dizer com certeza quem influenciou a quem em alguns estilos.

No final dos anos 70 e nos anos 80 começam a nascer os nomes que seriam protagonistas do estilo worship contemporâneo, sob forte influência desta nova onda musical.

Líderes e pastores que seriam patrocinadores do início destas grandes mudanças e abririam espaço para uma nova música também nascem em sua maioria nestas duas décadas.

Sem ler a respeito, quem poderia imaginar que igrejas e bandas como Bethel, Hillsong e Elevation tem suas bases nas tradicionais Assembleias de Deus? Sejam pela liturgia, doutrina, formato da mensagem, tecnologia ou estilo musical, elas ficam muito distante da realidade de igrejas mais tradicionais.

Vale destacar que o final dos anos 80 e todo o período dos anos 90, nasceram muitas bandas de POP, POP Rock, Rock e alguns estilos alternativos, em um volume bem desproporcional aos das bandas do estilo Worship.

Os anos 90´s

Considero esta década um período de experimentação, a sociedade como um todo foi experimentando os limites, testando até onde poderiam ir com toda a tecnologia e informações que estavam à disposição. Dentro das igrejas não foi muito diferente, onde podemos dizer que algumas barreiras e limitações foram rompidas neste período.

E agora sim podemos dizer que começam nesta década a nascer a base para o nascimento do estilo worship contemporâneo. Ouso dizer que só não evoluímos mais neste período por causa das limitações da internet.

Ron Kenoly produz 8 álbuns nesta década, embora tenha um nos anos 80, só na década de 90 que seu ministério na música alcança o auge.

Hillsong chega a lançar um álbum em 1988, mas a partir de 1990 passam a gravar um álbum por ano, ganhando aos poucos cada vez mais espaço no mercado global.

Michael W Smith evolui a cada ano, se aproximando cada vez mais do formato atual do estilo worship, tendo na minha opinião seu ápice na década seguinte com o álbum Worship (2001).

No mercado latino temos Marcos Witt desponta como a grande referência, já demonstrando uma afinidade com o estilo Worship.

Nasce o Worship Music – Anos 2000´s

Sim, é nesta década que o Worship que conhecemos atualmente nasce definitivamente, junto com seu irmão descontrolado (estilo) Adoração Extravagante.

Nascem neste período o Hillsong United, Bethel Music, Jesus Culture, Desesperation Band, Worship Central, Citipoint Live, Elevation Worship, entre muitas outras.

Mesmo sem ainda usar recursos como Worship Pads, Nords, plugins VSTs, VS, calças rasgadas, barbas estilo lenhador, iluminações e microfones descolados, mesmo assim estes ministérios plantaram as bases e colocaram o estilo em lugar de destaque.

No cenário nacional ficamos nesta década basicamente com bandas presas aos anos 90 e a febre da adoração extravagante.

2010´s

Esta década trouxe novos nomes, a popularização dos Worship Pads, e surgimento de novos recursos de fácil acesso, que permitem que mais bandas se formem.

Acrescente ainda a popularização das plataformas digitais como YouTube e Spotify, e temos o cenário perfeito para brotarem bandas de todos os cantos.

Destaco no cenário internacional o lançamento de álbuns das bandas The City Harmonic e Vertical Worship,

No cenário nacional, agora sim bandas de Worship raiz começam a brotar de todos os lados, e começamos a ver produções e composições contextualizadas ao estilo. Mas em quantidade de lançamentos, tivemos um percentual bem significativo de traduções ou versões entre as mais ouvidas.

Temos um artigo com recomendações de bandas e ministérios worship, onde no grupo nacional é basicamente composto de álbuns lançados após 2010, clique aqui para acessar. Neste link também é possível acessar algumas playlists no Youtube e Spotify.

Pretendo lançar um artigo específico sobre os lançamentos nacionais dos últimos 2 anos, temos algumas particularidades e considerações, por isso não citei alguns nomes mais atuais no artigo.

O que vem por aí

É difícil fazer previsões, mas quando achei que ficaríamos no “mais do mesmo”, eis que em 2018 vieram Steffany Gretzinger com álbum “Blackout”, assim como Cody Carnes e The Belonging Co trazendo novidades interessantes.

A cada dia vai ficando mais difícil emplacar novas canções com grande repercussão devido a saturação do mercado e do estilo, mas sempre há espaço para novidades.

Enquanto isso o mercado nacional sobrevive dividido entre os covers (traduções) e alguns lançamentos nacionais.

Fontes: http://wikipedia.org/