Luz apagada na igreja? Luzes apagadas no louvor!

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O ato de apagar as luzes durante o louvor ou deixar em meia luz durante a mensagem ajuda ou atrapalha? Por que igrejas adotam este hábito de apagar as luzes durante os períodos de louvor e porque outras criticam tanto este ato? O que a Bíblia diz a respeito? Em 2019 ainda precisamos abordar este tema?

Algumas pessoas ficam nervosas

Em uma certa oportunidade (faz tempo) fui chamado pelo pastor para uma reunião rápida para tratar a questão do apagar as luzes, fazia poucos meses que havíamos mudado para a nova sede, na antiga não tínhamos retro projetor (o antigo, de folha transparente) e todo o período de louvor era com as luzes acesas, acredito que não tenhamos feito o louvor nenhuma vez com as luzes apagadas. Nesta nova sede adquirimos um retro projetor (é tipo datashow, sem computador) e nos primeiros cultos começamos a ter dificuldade para ver as letras, uma das lâmpadas ficavam praticamente em cima parede onde era projetado, o que nos obrigou depois de alguns cultos a começar a desligar as luzes para dar mais ênfase na letra projetada.

Se passaram várias semanas e alguns irmãos foram se incomodando com o fato das luzes ficarem acesas, o que motivou a tal conversa com o Pastor, que logo de cara perguntou se estávamos tentando criar algum “climinha” ou adotando as “modinhas”, seguida de alguns comentários desnecessários. Como sempre com minha paciência “Jôzianica” aguardei o momento para falar e expliquei que os interruptores permitiam ligar tudo ou nada, ou seja, não tinha como desligar apenas a luz em cima da projeção, por isso fomos obrigados a desligar todas as luzes.

O que ficou estranho na conversa foi o deboche e a ironia no tratar do assunto, sem entender os reais motivos por trás. Mesmo que fossem os motivos errados ou equivocados a conversa não poderia ser iniciada desta forma, não era e nem sou o tipo de pessoa que entraria em um debate por algo banal, mas nem todo mundo é assim, uma conversa mais adulta e pautada no diálogo seria bem mais produtiva.

Os motivos alegados para apagar

  • Criar um clima – Alguns desligam com este objetivo;
  • Criar um ambiente mais jovem – Porque os jovens gostam disso;
  • Dar mais liberdade – Alguns argumentam que as pessoas ficam mais receptivas e se entregam mais com as luzes apagadas;
  • Valorizar e destacar a iluminação do palco – Se você colocar iluminação de palco e deixar as luzes acesas não faz muito sentido, desperdício de dinheiro;
  • Destacar a imagem do Projetor Multimídia – Fato, a maioria das igrejas possuem projetores de baixo custo (até 3 mil reais), que não oferecem uma boa imagem com luz acesa, apagar as luzes faz todo o sentido;

Os motivos alegados para não apagar

  • Moda ou costume do mundo trazido para a igreja;
  • Os jovens querem transformar em uma balada;
  • Influência maligna;
  • Somos luz do mundo, por isso tem que ficar acesa;

Motivos bíblicos para apagar ou não apagar

  • Zero, nenhum verso que colabore com ambos os lados;

Até poderia apelar para apoiar a tese da luz apagada

Existem vários versículos falando da busca na madrugada, e logo subentende-se em que em uma época sem energia elétrica esta busca na madrugada se daria com pouca ou nenhuma luz, quando não iluminados pelos céus da noite. Vejam alguns exemplos?

O Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água;
Salmos 63:1

Mas, se tu de madrugada buscares a Deus, e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia;
Jó 8:5

Eu, porém, Senhor, tenho clamado a ti, e de madrugada te esperará a minha oração.
Salmos 88:13

De forma alguma estes versos e os outros que poderão ser encontrados em sua Bíblia, dependendo da versão, poderão ser utilizados contra ou a favor, não passando de uma tentativa desesperada de achar uma base bíblica para dar razão para um dos lados.

Luz e trevas

Não é de hoje que as cores brancas ou a luz representam o bem e a cor preta ou a escuridão representa as trevas, e nada mais natural que o ato de fazer um culto no escuro seja associado as atividades das trevas, como se o fato de estar com a luz acesa impedisse alguma ação de nosso inimigo.

Não duvidaria se fosse atestado que grande parte dos pecados cometidos pela igreja, dentro ou fora dela tenha sido cometido com as luzes acesas, em salas branquinhas, não que isso faça alguma diferença, o crente safado é assim no escuro e claro, o crente desonesto é assim no escuro e no claro.

Não faz muito tempo, algumas décadas atrás, ter luz elétrica, microfone, aparelhos eletrônicos, instrumentos, tudo que era diferente da cultura local parecia um sinal do inimigo para comunidades mais radicais.

Balada

Associar o apagar as luzes com balada é quase uma apelação, em especial daqueles que se converteram oriundos destes ambientes e hoje são radicais contrários a toda e qualquer similaridade a estes ambientes. O cúmulo do absurdo é brigarem no culto das 20 horas para não apagar a luz e na vigília no meio do mato de madrugada brigando para não acenderem as luzes.

Eu gostaria de ter um pouco mais de orgulho da racionalidade e equilíbrio dos crentes, mas me surpreendo a cada dia. Na balada tem banheiro, tem porta, tem cadeira, copos, água, música, pessoas, entre outras coisas, mas nem por isso cortamos isso de nossas igrejas.

Particularmente gosto da ideia de não nos tornarmos parecidos com alguns atrativos mundanos, principalmente com aqueles que podem incentivar ou associar a nossa imagem a sexualidade, luxuria, libertinagem, ostentação ou crime, mas costumo dizer que o diabo foi mais astuto e saiu na frente criando ou aperfeiçoando coisas, se aproveitando da inércia dos crentes, que com todo o potencial de ajuda do Espirito Santo poderíamos ter sido os primeiros a inventar tudo que é legal.

Mas gosto muito da ideia de usar toda a tecnologia e equipamentos para dar significado e qualidade as coisas tão banais. Se a tribo de Levi tivesse acesso a tais tecnologias o melhor teria sido utilizado para o serviço.

Cultural e Regional

Não funciona para todos, toda a influência cultural da comunidade, do pessoal, sua origem, formação, medos, anseios e certezas, tudo contribui na construção de como esta pessoa reagirá as tecnologias, ao som e ao ambiente. Em igrejas de algumas regiões o simples fato de ter sotaque carioca era confundido com gíria, e logo associado a influência do mundo.

Inúmeras vezes me deparei com caras feitas ou comentários esdrúxulos ao ver que eu estava ouvindo bandas cristãs cantando em inglês, para elas o fato de não entenderam o que era cantando significava que era algo mundano, logo eu era mundano.

Temos que levar isso em consideração, temos comunidades inteiras que acreditam que a luz apagada não é legal, e meu conselho para você que faz parte, não tente forçar a barra, não os obrigue a se submeter a cultos no escuro, não edificará a vida de ninguém. Da mesma forma que em comunidades que não ligam para estes costumes e se sentem mais a vontade com as luzes apagadas, não tente impor suas doutrinas.

E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno”.
Mateus 5:30

Em 2019 ainda temos esta discussão?

Por incrível que pareça ainda temos debates sobre o assunto, ou você acha que as gerações formadas pelos conservadores de duas ou três décadas não carregariam parte dos hábitos e costumes? Existe muitas mentes que se apegam as restrições e doutrinas como forma de servir a Deus, é como entendem que Deus irá se agradar de seus atos.

Vemos um número maior de denominações aderindo as luzes apagadas ou usando meia luz, e talvez daqui uma década o debate seja reduzido a poucos radicais e as lembranças de um tempo mais conservador, até lá usemos de sabedoria.

Como o Mais Que Adoradores prefere ou trabalha?

Depende de onde vamos servir, se a comunidade for receptiva deixamos as luzes apagadas, se não for receptiva trabalhamos com as luzes acesas sem nenhum problema. Particularmente prefiro a luz apaga com foco total no telão com a letra, assim devia os olhares das caretas dos músicos.

Na medida do possível gosto de um ambiente mais sóbrio, evitando desviar a atenção das pessoas, quero que todos consigam se entregar em oração, busca, clamor e adoração, oferecendo sua total atenção a Deus, ao que estão cantando e falando. Penso que quanto menor for a atenção para nós, músicos e cantores, mais a igreja terá foco no que realmente interessa.

A banda ou ministério de louvor está ali em função e serviço da Igreja, e é a Igreja que irá oferecer o louvor e adoração com seu apoio e auxílio, não é o contrário, a igreja não está ali por causa do seu talento, somos o meio e não o fim.

Com luzes acesas ou apagadas? Não importa, vamos prestar nosso serviço (adoração) em espírito e em verdade!