No louvor, Unção ou técnica? Qual a prioridade de uma banda/ministério de louvor?

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Não foram duas ou três vezes, mas inúmeras vezes que o debate sobre o que é mais importante, a técnica ou a unção surgiram durante reuniões, workshops e ensaios. De um lado músicos que estudaram um pouco mais que os outros defendendo a técnica e do outro todo o tipo de músico defendendo a unção. E no final quem tem a razão?

Antes de abrir o tema e apresentar algumas considerações, quero propor que mudemos o enunciado da pergunta, acrescentando o resultado como parte do enunciado:

O que é mais importante:um som mal feito, executado por pessoas preguiçosas e sem compromisso com seu dom ou um som bem executado por pessoas frias, sem compromisso com a oração, que não relacionam com o seu Deus?

Unção ou Técnica?

O músico Cristão ou cantor Cristão, é a soma de duas identidades, músico e cristão ou cantor e cristão, ou seja, uma identidade técnica e uma identidade espiritual.

Embora a reposta pareça simples, na prática em pleno século 21 ainda vemos uma discussão fútil no meio de ministérios de louvor e bandas.

Todo trabalho árduo traz proveito, mas o só falar leva à pobreza.
Provérbios 14:23

As mãos zelosas e dedicadas governarão, mas os preguiçosos acabarão sendo forçados a trabalhar.
Provérbios 12:24

O homem prudente age com conhecimento, Mas o tolo expõe sua própria tolice.
Provérbios 13:16

Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.
Colossenses 3:23-24

Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade.
2 Timóteo 2:15

Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.
1 Coríntios 10:31

O que está por traz dos defensores da unção…

Como sempre não posso generalizar, mas baseado na minha experiência, observei algumas características interessantes entre os defensores da unção como prioridade, podendo ter uma ou mais delas.

Em geral vejo sempre o argumento da unção como prioridade serve como pano de fundo, para justificar suas deficiências técnicas, abrindo fogo com o argumento da unção sempre que são questionados para mudarem de atitude e melhorarem tecnicamente.

Citarei abaixo algumas das características que identifiquei nos defensores:

Algumas exceções, são bons músicos e já não se preocupam mais com a técnica, pois já possuem

Existem evidentemente bons músicos, hábeis tecnicamente, que também se preocupam com a unção, e defendem que a técnica não seja a única prioridade.

Como já estão bem preparados tecnicamente e como não tem a preocupação técnica em suas mentes, dão prioridade em aperfeiçoar exclusivamente a questão espiritual. Porém, em seus discursos esquecem que está não é a realidade da grande maioria nas igrejas, levando os despreparados a pensarem que podem fazer igual.

Algumas pessoas não percebem os erros técnicos

Temos que levar em conta que existe uma parcela da população que realmente não percebe alguns problemas técnicos, somente os mais graves, que são bem visíveis, basta olhar a quantidade de pessoas que participam dos karaokês.

Esta parcela não se sente incomodada com seus erros e nem com os erros das outras pessoas. Elas costumam exigir que as demais pessoas tenham a mesma percepção de mundo que elas, pois não conseguem compreender como certos erros incomodam tanto as demais pessoas.

Não são bons músicos ou cantores

Não ser um bom músico está relacionado basicamente a 4 problemas: falta de conhecimento técnico, falta de treino, problema no desenvolvimento cognitivo ou motor.

Tem pouco conhecimento técnico

Culturalmente no Brasil vemos uma massa muito grande de pessoas que fogem da leitura, dos estudos e treinos. Mesmo a Bíblia condenando a preguiça, ao ponto de dizer que não entrarão no reino dos céus, esta cultura entrou dentro da Igreja e contaminou não apenas membros, mas uma boa parcela da liderança.

Muitas vezes com a desculpa que Deus capacitará, que a unção é suficiente, se escoram em sua falta de capricho e descuido, servindo a igreja relaxadamente.

Tem preguiça de estudar ou treinar

Se não bastasse a falta de leitura e conhecimento técnico, ainda temos que enfrentar a preguiça de praticar, que é fundamental na música, pois a música requer uma sintonia muito fina entre seu cérebro e os músculos dos membros que executam a música. A falta de treino interfere diretamente na precisão, o que acaba gerando a falta de sincronismo e desafinação.

Não tem condições financeiras para estudar ou não querem abrir mão de algum gasto para investir por alguns meses de estudo

No passado a falta de dinheiro realmente impediu muita gente de crescer, mas eram outros tempos, e atualmente este argumento da falta de recursos saiu de cena com o advento tecnológico. A grande maioria das pessoas sempre conseguem um dinheiro para comprar o pacote de internet para ficar no Facebook e Whatsapp jogando conversa fora, quando poderiam acessar os diversos vídeos de aulas no Youtube.

Na plataforma de vídeo existem uma quantidade bem significativa de vídeos ensinando música do básico ao avançado, praticamente em todos os instrumentos, equipamentos e técnicas.

Não possuem tempo para estudar ou não querem abrir mão de algo do seu tempo para estudar

Quantas vezes já vimos colegas de ministério trocando o tempo de treino por uma ida ao cinema, pela partida de futebol na TV ou outra atividade qualquer.

Ninguém é obrigado a se dedicar exclusivamente para a igreja, e nem recomendo que façam isso, que tenham um tempo de qualidade com suas famílias, que tirem um tempo para ler, descansar e se divertir. Mas a partir do momento em que você se propõe a fazer algo, faça bem feito, faça com o mínimo de qualidade. Reserve um tempo para estudar e melhorar em seu ofício na igreja.

Se você entende que não precisa disso, talvez seja a hora de entregar seu cargo/ministério e dar lugar para quem está disposto a fazer direito.

São leigos, com baixa formação acadêmica

Infelizmente isso tem uma influência muito grande, pois algumas pessoas por terem uma baixa formação, pouca leitura e conhecimento, acabam caindo no engodo destes que se escondem na retórica da unção, achando que essa é uma verdade, quando na realidade são enganados por preguiçosos, que fazem a obra relaxadamente.

Embora tenhamos bons músicos no mercado com baixa instrução, frutos do mais puro talento natural, esta não é uma regra que se aplique a todos, a grande maioria precisa estudar, ler e treinar muito, e sem o mínimo de preparo acadêmico, como saber ler e escrever é quase impossível que cresçam o necessário para oferecer para Deus e a Igreja um serviço descente.

Possuem limitações cognitivas, ou seja, não conseguem assimilar as letras, cifras e notas

Não falamos muito disso na igreja, existe até uma certa resistência para tocar neste assunto, mas existem sim pessoas que possuem limitações cognitivas, ou seja, não conseguem memorizar ou compreender o funcionamento básico da música, raciocinam de forma mais lenta, não conseguem acompanhar a banda.

Como a música é uma área técnica, espera-se de seus membros que tenham a técnica, que compreende ao conhecimento e a capacidade de executar uma música.

Até entendemos que a igreja tem um papel importante na inclusão social, mas devemos buscar momentos ou oportunidades mais adequadas para que estas pessoas participem, evitando assim o constrangimento para a pessoa e para a igreja. De forma alguma defendemos a exclusão destas pessoas, mas que criemos iniciativas mais adequadas para elas, que sejam adaptadas ao seu tempo.

Possuem limitações motoras, ou seja, até assimilam a música, mas não conseguem executar da maneira correta

Não muito diferente da limitação cognitiva, a limitação motora pode influenciar, mas não necessariamente é um impeditivo. Tenho pessoas próximas com algumas limitações, que em um primeiro olhar dificilmente alguém apostaria que seriam músicos, mas que apresentam uma qualidade técnica acima da média.

Trago este ponto, pois é importante nos conhecermos e entendermos nossas limitações. Se elas estiverem claras em nossas mentes, podemos contorná-las. Por exemplo em um solo que requer muita velocidade, e você não consegue chegar por uma limitação motora, que pode ser contornado com um solo diferente, ou um efeito de repetição que ajude a imitar o solo original.

Mas existem os casos mais graves em que se torna mais difícil criar estes contornos, dificultando principalmente a vida em uma banda, que requer além da habilidade individual uma capacidade de tocar em grupo.

Estes casos em relação as limitações cognitivas são bem menores, na realidade incentivamos muito pouco que pessoas com alguma dificuldade motora entre no ministério da música, e certamente estamos perdendo muitos talentos.

Possuem alguém que gostam ou é da família com as características acima

Alguns defensores na realidade fazem isso para proteger seus familiares e amigos, e saem em defesa da unção como forma de evitar que seus protegidos sejam cobrados ou retirados do ministério.

Temos um grupo razoável de pessoas que estão em sua zona de conforto, fazendo a obra relaxadamente, sem se importar com o resultado. Buscam afago e reconhecimento para seus egos.

Temos também aqueles músicos que aprenderam o básico e tocam a pouco tempo. Se compararmos a escola normal, são aqueles que mal aprenderam a ler ou a fazer conta de soma e subtração, mas basta receberem alguns elogios aqui e ali para subir a cabeça e se auto proclamarem músicos.

O que está por traz dos defensores da técnica…

Do outro lado aqueles que defendem a técnica como prioridade, que não adianta ter só unção e fazer um som desagradável, estes que preferem trocar um período de oração por uma hora de ensaio.

Como citado no tópico anterior, existe alguns casos que possuem uma capacitação técnica adequada e já não mais se preocupam com isso, dedicando uma pequena parte de seus esforços na manutenção do conhecimento e uma parcela maior no crescimento espiritual.

Mas no dia a dia das igrejas a realidade técnica é um caso a parte, tem casos e casos, mas a grande maioria sobre com a falta de músicos, e as que possuem músicos, sofrem com a qualidade técnica.

Os defensores da técnica também compartilham algumas características que observamos ao longo dos anos, vejamos abaixo:

  • Priorizam somente as atividades técnicas como ensaios, muitas vezes deixando de ir em eventos para o crescimento espiritual
  • Tem dificuldade para participar dos cultos, costumam sair apos suas apresentações
  • Tem dificuldade em se concentrar durante as orações, isso quando oram
  • Alguns por que sabem um pouco mais que os demais acabam influenciando os demais com sua visão limitada das questões técnicas
  • Tem uma visão que certas atividades espirituais são perdas de tempo
  • Costumam delegar sua responsabilidade espiritual para o líder, ministro, pastor ou até mesmo para a Igreja

Já temos uma conclusão?

Ainda não, antes precisamos entender o que é ser músico e o que é ser um cristão.

Com estes dois conceitos mais claros em nossas mentes, podemos evoluir e desenvolver um raciocínio mais adequado para concluir e responder a questão principal deste artigo.

O que é ser músico?

Parece uma pergunta boba, mas você irá entender o sentido.

A música como já citei neste e em outros artigos deste site  é uma área técnica, ou seja, para ser música é necessário conhecimentos técnicos específicos, que vão desde o básico conhecimento do nome das notas, passando pelo ritmo, estilos musicais, até chegar no conhecimento do seus equipamentos.

Existem músicos que tem o chamado dom natural, se desenvolvem sem o conhecimento técnico. Porém, acabam se limitando, pois vemos atualmente a música como um universo de possibilidades muito grande, e para romper as fronteiras sem conhecimento é muito difícil.

É músico ou cantor e não conhece conceitos básicos como escalas, campo harmônico, ritmo, divisão de tempo ou andamento? E casos em que sequer sabe seu alcance vocal? E músicos que só sabem tocar a música em uma nota, se mudar a cor da cifra já se perdem?

Vale a pena ler o artigo: “Se eu orar vou aprender a tocar ou cantar? O Espírito Santo ensina música? Ele cria um conhecimento novo, inexistente?

E quando der aquela microfonia? Ou, o som estiver saindo grave de mais? Sem o mínimo de conhecimento técnica deixamos a igreja refém da sorte, pois tudo pode acontecer.

O que é ser um cristão?

É ser um seguidor de Cristo, que imitam seus passos, que seguem e respeitam sua interpretação dos mandamentos, que observam suas ordenanças, que acima de tudo possuem as mesmas prioridades de Cristo.

As prioridades de Cristo são:

Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
Mateus 22:36-40

Cristo estabelece no topo das prioridades o Amor a Deus e o Amor ao Próximo.

Quando observamos as bem aventuranças, observamos ele valorizando o pobre de espírito, os que choram, os mansos, os puros, os pacificadores e os que sofrem. Em outro texto ele destaca o papel da igreja no cuidado do órfão e da viúva.

Cristo nos leva a valorizar a comunhão, onde o próximo é nosso alvo.

Unção ou Técnica?

A prioridade é Cristo e a Igreja, e todo o esforço necessário para valorizar e não envergonha-los deve ser empregado. Todo aquele que serve na igreja deve buscar o preparo técnico e espiritual em igual proporção na medida do possível.

Sabemos que existem fases na vida onde a balança pode pender mais para um lado, mas temos que ter como alvo crescer sempre, em todos os aspectos.

Você é um músico cristão ou um cristão músico, ou seja, as duas identidades devem se unir, as necessidades destas duas características devem ser supridas.

Entendemos que a música evangélica se sustenta em 3 pilares: Técnica, Emoção e Unção/Inspiração.

Música sem técnica é o caos.
Música sem emoção é fria.
Música sem unção ou inspiração é vazia.

Mais sobre Louvor e Adoração…

Se você deseja aprender mais sobre louvor e adoração, criamos uma série de artigos que já conta com mais de 10 artigos para ajudar a entender os tipos de louvor e adoração:

O que é um louvor vertical? Ou, o que é uma canção vertical?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2017/11/24/o-que-e-um-louvor-vertical/

O que é um louvor horizontal? Ou, o que é uma canção horizontal?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2017/11/13/o-que-e-um-louvor-horizontal-ou-o-que-e-uma-cancao-horizontal/

O que é um louvor Cristocêntrico? Ou, o que é uma canção Cristocêntrica?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2017/11/13/o-que-e-um-louvor-cristocentrico/

O que é um louvor Antropocêntrico? O que é uma canção Antropocêntrica?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2017/11/02/o-que-e-um-louvor-antropocentrico/

O louvor é para quem? A música e os sons são para quem?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2017/10/24/o-louvor-e-para-quem/

O que é um louvor espontâneo?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2018/04/21/louvor-espontaneo/

No louvor, Unção ou técnica? Qual a prioridade de uma banda/ministério de louvor?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2018/03/29/louvor-uncao-ou-tecnica/

Como levar a Igreja a adoração? O que é um Ambiente de adoração?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2018/03/27/como-levar-a-igreja-a-adoracao/

Worship Significado
http://www.maisqueadoradores.com/page/2018/03/14/worship-significado/

Bandas e Ministérios de Worship que recomendamos
http://www.maisqueadoradores.com/page/2018/03/08/bandas-e-ministerios-de-worship-que-recomendamos/

O que é Worship? Ou estilo musical Worship?
http://www.maisqueadoradores.com/page/2017/10/09/o-que-e-worship-ou-estilo-musical-worship/

E continuamos produzindo novos artigos que você pode acompanhar pela Página Inicial de nosso site ou através da página da “Série Louvor e Adoração“.